Áudios de WhatsApp obtidos pelo Metrópoles revelam que uma filiada do Partido Liberal (PL) em Rio Claro (SP) negociava a devolução de parte de uma emenda parlamentar. Nas gravações, Amanda Servidoni solicita o repasse de R$ 100 mil de uma verba pública de R$ 300 mil destinada a um município do interior paulista.
Nos áudios, Amanda se apresenta como “assessora” da deputada estadual licenciada Valéria Bolsonaro (PL), atual secretária de Políticas para a Mulher do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Apesar disso, ela não ocupa cargo público.
Valéria Muller Ramos Bolsonaro é casada com um primo de segundo grau do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Luís Oscar Bolsonaro.
Em um dos trechos, Amanda aparece explicando como funcionaria o repasse:
“Ele [prefeito] vai gastar 100k com a pista, entendeu? (…) E nós estamos dando 300. Desses 300 eu quero pelo menos uns 100, entendeu? Não quero 10%, filho. Vocês não sabem fazer negócio. Se ele falou que ele vai gastar com a coisa 100, ele vai tá ganhando 200 e nós 30?”, afirma.
Em outra gravação, ela reforça o pedido:
“É isso. É 100 e 100, entendeu? 100 e 100. Pronto. Para abrir mais [portas] nas outras cidades.”
Segundo as conversas, o suposto esquema envolveria outros municípios, e Amanda seria responsável por intermediar tratativas com deputados estaduais e federais.
Quem é Amanda Servidoni? Ligação com Valéria Bolsonaro
Amanda é ex-servidora da Prefeitura de Rio Claro e preside o projeto social Mulheres pela Fé, que tem Valéria Bolsonaro como madrinha. Na última quinta-feira (23), a secretária inaugurou um escritório político na cidade, no mesmo imóvel onde funciona o projeto de Amanda.
Questionada pela reportagem, Amanda admitiu a autoria dos áudios, mas negou irregularidades.
“Trabalho com projetos. Não tenho nada a declarar”, afirmou.
O assessor jurídico da Secretaria de Políticas para a Mulher, Eduardo Aparecido dos Santos, confirmou que Amanda atua como “assessora regional” de Valéria, mas negou qualquer relação com pedidos de “cashback”.
“Não tem nenhuma relação com a Valéria Bolsonaro. A relação que tem é de amizade e apoio político. É apoio de projetos sociais. Isso sim, é público”, declarou.
Em nota, a Secretaria de Políticas para a Mulher informou que o caso “não tem relação com a pasta”.
“A Secretaria de Políticas para a Mulher não possui relação com o projeto social Mulheres pela Fé. Emendas parlamentares são temas da Assembleia Legislativa, com pagamentos realizados às prefeituras conforme ritos administrativos e legais. Cabe aos órgãos de controle e ao Tribunal de Contas fiscalizar a aplicação dos recursos”, diz o texto.

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