Sete presos morreram após um incêndio atingir o setor de inclusão da Penitenciária de Marília, interior de São Paulo, no final da tarde desta terça-feira (25).
Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o fogo começou quando um detento ateou fogo aos próprios pertences, provocando intensa fumaça tóxica.
O caso ocorre um dia após a rebelião na Penitenciária de Hortolândia, aumentando a pressão sobre o sistema prisional paulista.
A Prefeitura de Marília divulgou os números oficiais dos atendimentos realizados após o incêndio:
- Dentro do presídio: 5 óbitos
- Hospital das Clínicas (HC): 4 atendidos — 2 óbitos e 2 em estado grave
- Santa Casa: 3 graves, todos intubados
- UPA Norte: 5 atendidos — 4 casos leves e 1 moderado
- UPA Sul: 3 atendimentos leves
A administração municipal lamentou o ocorrido e se solidarizou com familiares e servidores.
“Estamos com déficit histórico e prisões superlotadas”, diz presidente do Sinppenal
O presidente do Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal), Fabio César Ferreira, afirmou que o episódio reflete problemas estruturais antigos no sistema prisional.
“É reflexo de anos de abandono. Estamos com déficit histórico, prisões superlotadas e, na segunda-feira, o governador Tarcísio se recusou a receber a categoria para um diálogo visando solucionar os problemas”, disse.
Segundo ele, quatro policiais penais foram encaminhados ao hospital por inalação de fumaça, mas nenhum precisou ficar internado.
Com capacidade para 622 presos, a unidade prisional opera com uma população carcerária de 1080, 73% acima da lotação projetada e 35% acima do limite estabelecido.
Também nesta terça-feira (25), o diretor da Penitenciária de Getulina, cidade a 60 km de Marília, teria sido agredido por um sentenciado que estava causando problemas no pavilhão, reclamando da demora na confecção da carteirinha de visitante.
“Em Getulina, o preso arremessou um computador na cadeia do Diretor de disciplina”, afirmou o presidente do Sinppenal.
O preso foi contido pelos Policiais Penais e as medidas disciplinares cabíveis foram tomadas.
Leia: Rebelião na Penitenciária 3 do Complexo Campinas/Hortolândia
O que diz a SAP sobre os presos mortos na Penitenciária de Marília?
Em nota, a SAP informou que os policiais penais iniciaram o combate às chamas até a chegada do Corpo de Bombeiros e do SAMU.
A secretaria confirmou que sete internos morreram devido à inalação de gases tóxicos provocados pelo incêndio proposital.
A pasta abriu um procedimento para apurar o caso e informou estar em contato com familiares das vítimas.
“Os familiares dos detentos que estavam no setor de inclusão, atingido pelo fogo, foram contatados, com exceção das famílias de quatro presos, que não tinham indicado familiares para rol de visitas nas suas inclusões. Informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3408-1170 (PABX) ou 3408- 1175 (serviço social)”, complementou a SAP.
Estado de saúde dos presos da Penitenciária de Marília
A SAP informou que dois internos receberam alta médica durante a madrugada e já retornaram ao presídio. Outros cinco permanecem hospitalizados em instituições de Marília.
A secretaria também informou que cinco policiais penais que atuaram no combate ao incêndio já receberam alta.
