A região de Campinas (SP) integra a rota dos tornados no Brasil e aparece entre as áreas com maior risco para esse tipo de fenômeno meteorológico.
Um dos principais pesquisadores do tema é o geógrafo Daniel Henrique Cândido, doutor em análise ambiental pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e conhecido no meio acadêmico como o “caçador de tornados”.
Desde meados do século 20, ele já catalogou 312 ocorrências em território brasileiro. Somente nos últimos 13 anos, foram 107 registros, uma média de oito tornados por ano.
Segundo o pesquisador, o Brasil está inserido no chamado “Corredor dos Tornados da América do Sul”, um polígono que se estende do norte da Argentina e Uruguai, passa pelo Sul do Brasil e alcança o estado de São Paulo, além de áreas do Centro-Oeste.
Dentro desse corredor, Campinas e cidades do entorno aparecem em posição de destaque.
Campinas e região têm risco elevado para formação de tornados
Com o uso de ferramentas de geoprocessamento, Cândido desenvolveu um modelo que identifica padrões espaciais e temporais para a ocorrência de tornados no país. A escala de risco anual varia de menos de 1% a acima de 25%.
Na região de Campinas, municípios como Indaiatuba, Sumaré, Nova Odessa, Americana, Santa Bárbara d’Oeste e Paulínia apresentam risco estimado entre 20% e 25% de novos episódios.
Em Campinas, os distritos de Barão Geraldo e Aparecidinha concentram os maiores índices, com probabilidade em torno de 20%.
Tornados em Indaiatuba (SP) e Itu (SP)
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em Indaiatuba, em maio de 2005. O tornado foi classificado como F4 na escala Fujita (que vai de F0 a F5) e registrou ventos de cerca de 250 km/h.
O fenômeno destruiu fábricas e causou grandes prejuízos, mas não deixou mortos por ter atingido principalmente a área industrial.
Outro episódio histórico citado nos estudos é o tornado de Itu, em 1991, considerado um dos mais violentos já registrados no país.
Na ocasião, 15 pessoas morreram, 176 ficaram feridas e cerca de 280 casas foram destruídas, além de indústrias, escolas e um obelisco de 100 toneladas.
Mais recentemente, o tema voltou ao debate após um tornado atingir Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, deixando sete mortos. Classificado como F3, o fenômeno está entre os mais severos já catalogados no Brasil e reforçou o alerta para áreas que estão dentro do corredor, como a região de Campinas.
