Foto: Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste/Divulgação
Três tornados atingiram a cidade de Santa Bárbara d’Oeste, na Região Metropolitana de Campinas, em 29 de março de 2006, segundo um estudo de pesquisadores da Unicamp e USP.
“Foram tornados, não simples vendavais”


Luci Hidalgo Nunes e Daniel Henrique Candido analisaram dados meteorológicos, imagens de radar, danos causados, registros da Defesa Civil e entrevistas com moradores das áreas afetadas.


de um veículo
De acordo com registros do Corpo de Bombeiros, uma pessoa morreu em Santa Bárbara d’Oeste, 15 moradores ficaram feridos e seis famílias desabrigadas.
O levantamento identificou:
- Três tornados em Santa Bárbara d’Oeste
- Um tornado em Piracicaba
Ventos chegaram a 158 km/h durante os tornados
Segundo o estudo, os tornados provocaram ventos que chegaram a 158 km/h, o limite máximo do equipamento que ficava na estação meteorológica da Esalq/USP, em Piracicaba.
“Os danos observados, a velocidade dos ventos e o padrão de destruição não deixam dúvidas de que se tratou de eventos tornádicos”, escrevem os pesquisadores.
Para eles, a rotação dos ventos e as trilhas deixadas nas áreas atingidas “são incompatíveis com vendavais comuns ou microexplosões”.
Como foram os tornados em Santa Bárbara d’Oeste?
Os pesquisadores explicam que o primeiro tornado acompanhou o curso do Ribeirão dos Toledos e percorreu áreas urbanas e rurais, provocando um rastro de destruição, como queda de postes e destelhamento de residências por volta das 11h30.
“O mapeamento revelou uma trajetória retilínea, com um setor mais intensamente afetado e outro adjacente nas bordas, comprometido secundariamente. Sua passagem acompanhou claramente o Ribeirão dos Toledos, de onde tirou sua energia”, afirmam.
O segundo tornado atingiu o bairro Nova Conquista, avançando ao longo de um canal. Segundo moradores, ele chegou a se elevar e mudar de direção, alcançando casas mais afastadas do fundo do vale. (veja a rota dos tornados na imagem abaixo)

Já o terceiro tornado passou por canaviais e danificou estruturas de um clube.

Os pesquisadores observaram, em trabalho de campo, que a cana-de-açúcar ficou envergada e houve destelhamento, queda de árvores e retorcimento de metais no clube.


Além de cinco desabamentos e 39 edificações comprometidas. Notícias da imprensa afirmou que 70% da cidade ficou sem energia durante 48 horas. A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste decretou estado de
emergência por 240 dias.
“Os prejuízos foram vultosos e cerca de um mês depois eram ainda visíveis os estragos, especialmente no perímetro rural”, relata o estudo
Tornado também atingiu Piracicaba em 2006, afirmam pesquisadores
Luci Hidalgo Nunes e Daniel Henrique Candido revelam que no mesmo dia, por volta do meio dia, outro tornado atingiu Piracicaba, cidade vizinha de Santa Bárbara d’Oeste.

O fenômeno derrubou centenas de árvores, interrompeu o fornecimento de energia de 25% do município por mais de 12 horas e danificou prédios públicos e universitários, plantações de cana-de-açúcar, telhados de casas, postes de energia e estruturas metálicas.
Apenas no campus da Esalq, foram aproximadamente 500 árvores caídas. No campus Taquaral da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), outras 400 árvores.
Segundo a imprensa local, foi decretado estado de emergência por 60 dias. O prejuízo em Piracicaba foi estimado em R$ 1,5 milhão na área urbana, além de 350 mil toneladas de cana-de-açúcar tombada na zona rural.
“Alguns prejuízos são de estimativa mais difícil: no campus da Esalq, por exemplo, o fenômeno quebrou estufas, destelhou laboratórios e molhou equipamentos, comprometendo o andamento de diversas pesquisas”
O estudo completo está disponível neste link “Condicionantes físicos e impactos dos tornados do final de março de 2006 no interior paulista”.
