Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, preso após matar dois colegas de profissão em Barueri (SP), era sócio e administrador da empresa Cirmed Serviços Médicos Ltda, que mantém contratos que somam cerca de R$ 80 milhões com a Prefeitura de Campinas.
A investigação da Polícia Civil aponta que o crime pode ter sido motivado por desentendimentos relacionados a contratos e licitações de serviços médicos.
Segundo apurado, Luís Roberto Pellegrini Gomes, uma das vítimas, era proprietário da Mpmed, empresa concorrente direta da Cirmed na disputa por contratos públicos. Já Vinicius dos Santos Oliveira, a outra vítima, atuava como coordenador de médicos na mesma empresa concorrente.
Os contratos firmados com a Prefeitura de Campinas somam R$ 80 milhões.
O primeiro, no valor de R$ 51 milhões, tem vigência de 24 meses e prevê a prestação de serviços médicos e multiprofissionais no Hospital Ouro Verde.
O segundo contrato é de R$ 29 milhões, com duração de 36 meses, e envolve serviços de anestesiologia nos hospitais Ouro Verde, Mário Gatti e Mário Gattinho.
De acordo com dados oficiais da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), Carlos Alberto figurava até o fim de 2025 como sócio majoritário e administrador da empresa, com poderes para assinar contratos e representar legalmente a Cirmed.
A ficha cadastral aponta que ele detinha R$ 16.999.855,00 do capital social da empresa, avaliado em R$ 17 milhões. Os demais sócios entraram com R$ 1 cada.
Um dos contratos chegou a ser questionado judicialmente por uma empresa concorrente, que alegava a existência de sanção aplicada à Cirmed em Porto Alegre (RS).
O Tribunal de Justiça, no entanto, entendeu que o edital da licitação em Campinas permitia a contratação e manteve o contrato. Segundo a Prefeitura, não há pendências ou descumprimento contratual por parte da empresa no município.
O crime ocorreu na noite de sexta-feira (16), em frente a um restaurante em Alphaville, em Barueri. Imagens de câmeras de segurança registraram os disparos.
As vítimas, Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, morreram no local. Carlos Alberto foi preso em flagrante e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.
O que diz a Prefeitura de Campinas?
A Prefeitura de Campinas informou que o episódio envolvendo o médico não afeta a continuidade dos serviços essenciais e afirmou que a própria empresa solicitou, em dezembro de 2025, a retirada de Carlos Alberto do quadro societário, além da substituição do representante legal da empresa junto à administração pública no início de janeiro deste ano.
O que diz a Cirmed?
Em nota, a Cirmed Serviços Médicos informou que tomou conhecimento do caso envolvendo um de seus sócios e afirmou que o episódio é de caráter estritamente pessoal, não tendo relação com as atividades institucionais, assistenciais, operacionais ou contratuais da empresa.
A Cirmed declarou que o ocorrido não representa os valores e princípios da instituição e reforçou o compromisso com a governança, a ética, a transparência e o cumprimento das leis. A empresa também afirmou que não haverá prejuízo à continuidade dos serviços essenciais nem ao cumprimento das obrigações legais e contratuais.
Segundo a diretoria, a empresa segue atuando normalmente e mantém o compromisso de prestar serviços de saúde de excelência à população.
