O ciclone extratropical que avançou pelo Sul e Sudeste entre segunda-feira (8) e esta quarta (10) deixou um rastro de destruição, mortos, feridos, alagamentos e apagões que afetaram milhões de pessoas em vários estados.
As ocorrências incluem um tornado, deslizamentos, quedas de árvores, ventos acima de 100 km/h e acumulados de chuva equivalentes a meses em poucas horas.
São Paulo registra quatro feridos e mais de 500 quedas de árvores
De acordo com a Defesa Civil do Estado de São Paulo, ao menos quatro pessoas ficaram feridas na capital após quedas de árvores e galhos provocadas pelos ventos ciclônicos que ultrapassaram 100 km/h.
- Na Avenida Inajar de Souza, na região da Cachoeirinha, um motociclista de 19 anos foi atingido por uma árvore e socorrido com escoriações leves.
- Em uma escola municipal no bairro Santana, uma funcionária de 40 anos sofreu ferimentos após a queda de um galho.
- Na Lapa, uma árvore desabou sobre um veículo com dois ocupantes; um deles teve dores de cabeça e foi levado pelos bombeiros, enquanto o outro recusou atendimento.
- No bairro República, uma idosa ficou ferida na perna após ser atingida pela queda de uma árvore.
Ao todo, mais de 500 árvores caíram na Grande São Paulo, segundo levantamento preliminar.

Cerca de 2 milhões de imóveis ficaram sem energia, sendo 1,2 milhão apenas na capital.
O vendaval também provocou mais de 100 cancelamentos de voos no Aeroporto de Congonhas. O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), recebeu voos domésticos desviados da capital São Paulo nesta quarta-feira (10).
São Bernardo do Campo: cobertura de posto desaba e árvores atingem carros
Em São Bernardo do Campo, a pancada de chuva acompanhada de fortes rajadas de vento derrubou diversas árvores em vias públicas.
A Defesa Civil registrou:

- A queda da cobertura de um posto de gasolina na Avenida Taboão;
- Uma árvore de grande porte que atingiu três veículos na Vila Luzita;
- Outra árvore que caiu sobre uma oficina automotiva na Avenida São Paulo, na Chácara Sergipe.
Apesar dos danos, não houve feridos. Equipes municipais seguem na limpeza e liberação das áreas atingidas.
Campos do Jordão tem morador morto e casas interditadas



Na Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão registrou uma morte após um deslizamento que atingiu um imóvel. A vítima, morador da residência, foi encontrada sem vida sob os escombros nesta quarta (10).
Segundo a prefeitura, três casas vizinhas foram interditadas por risco de novos deslizamentos.
No total, oito moradores ficaram desabrigados e foram encaminhados para abrigos municipais.
Flores da Cunha (RS): tornado confirmado
No Rio Grande do Sul, tempestades severas atingiram ao menos uma dezena de municípios na segunda (8).
Em Flores da Cunha, meteorologistas confirmaram a formação de um tornado, que causou destruição em áreas rurais e urbanas. De acordo com a Defesa Civil, ninguém ficou ferido.


Chuva extrema no RS e em SC provoca alagamentos e mortes
Entre segunda (8) e esta quarta (10), diversas cidades gaúchas registraram 100 mm a 300 mm de chuva, com alguns pontos ultrapassando 300 mm em 48 horas, o equivalente a três meses de precipitação.
O volume provocou alagamentos, enxurradas e inundações em vários municípios.
Em Santa Catarina, a Grande Florianópolis registrou três mortes e acumulou quase 200 mm de chuva na terça (9).

Uma bebê de apenas um ano e os pais morreram após o carro da família ser arrastado pela enxurrada e ficar submerso na cidade de Palhoça.
Ventos acima de 100 km/h atingem Sul e Sudeste
O ciclone provocou rajadas intensas em diversos estados:
- Paraná: ventos de 131,8 km/h na Serra do Mar e até 80 km/h na Grande Curitiba, com destelhamentos, quedas de árvores e falta de luz.
- Rio de Janeiro (Região Serrana): rajadas acima de 100 km/h; na capital fluminense, ventos de até 70 km/h derrubaram árvores.
- Santa Catarina: rajadas acima de 100 km/h no Oeste, no Planalto Sul e no Sul, deixando cerca de 100 mil imóveis sem energia.
- Rio Grande do Sul: ventos de 105 km/h em Rolante, além de danos estruturais em cidades como Pelotas e Rio Grande.
Impacto em toda a região
Os eventos extremos colocaram equipes das Defesas Civis municipais e estaduais em operação contínua. As autoridades reforçam que áreas de encosta, regiões arborizadas e locais com histórico de alagamentos devem permanecer em estado de atenção devido ao solo encharcado e ao risco de novos deslizamentos e quedas de árvores.
