Foto: Prefeitura de Campinas/Divulgação
O Portal Campinas Notícias traz para você, leitor, uma dimensão sobre a questão dos moradores em situação de rua em Campinas. Quem olha para a região central, ao lado da Catedral por exemplo, se assusta com a quantidade de pessoas em vulnerabilidade social, sendo a maioria com dependência em álcool e drogas.
A reportagem questionou a Prefeitura de Campinas sobre quantidade de pessoas em situação de rua que foram atendidas no ano de 2025.
Quantas pessoas em situação de rua têm em Campinas?
Não existe um número único de pessoas em situação de rua atendidas pela Prefeitura de Campinas em 2025 porque a Administração registra atendimentos, e a mesma pessoa pode ser atendida várias vezes e por diferentes portas de entrada, como o SOS Rua, os Centros POP SARES I e II, o Bagageiro Municipal e os abrigos.
Porém, a Prefeitura de Campinas realizou 16.841 abordagens às pessoas em situação de rua, de janeiro a setembro de 2025, através do SOS Rua, um serviço que percorre a cidade de segunda a sexta-feira.
“Com uma atuação contínua, o SOS Rua reafirma seu compromisso com a inclusão social e a dignidade de pessoas em situação de rua. Trata-se de um trabalho essencial para tornar Campinas uma cidade mais acolhedora e humana”, afirmou Vandecleya Moro, secretária municipal de Desenvolvimento e Assistência Social.
Além do trabalho diário, o SOS Rua também recebe solicitações da população. Os moradores de Campinas podem acionar as equipes pelo telefone (19) 3253-4512, das 8h às 18h, ou pelo WhatsApp (19) 99984-6496, das 18h às 21h.
Foram 7.224 atendimentos no Bagageiro, no mesmo período, além de 26.550 pernoites no albergue municipal (até 15 de outubro). Programas complementares registraram 215 acolhimentos no Recomeço (de janeiro a setembro) e 192 recâmbios para retorno à cidade de origem (de janeiro a setembro).
No entanto, esses números não devem ser somados, porque há sobreposição entre os serviços. Como referência de população, o último censo municipal identificou 1.300 pessoas em situação de rua em Campinas.
A prefeitura também registrou (de janeiro até setembro) 10.460 atendimentos nos dois Centros POP que existem em Campinas por meio do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), do Governo Federal:
- Centro POP Sares, Unidade I
Rua Regente Feijó, nº 824, Centro
(19) 3231-4155 / 3236-4059
- Centro POP Sares, Unidade II
Rua José Paulino, nº 603, Centro
(19) 3235-2281 / 3235-1918
Os Centros POP são unidades públicas especializadas no atendimento à população em situação de rua. As equipes oferecem acolhida, higiene, guarda de pertences, emissão de documentos, alimentação, atividades socioeducativas, inserção no mercado de trabalho e encaminhamento à rede de proteção social.
Como a Prefeitura de Campinas faz o acolhimento das pessoas em situação de rua na cidade?
Campinas trabalha em rede, com várias portas de entrada que se alimentam mutuamente e evitam lacunas no atendimento.
A Abordagem Social de Rua (SOS Rua) e a ação parceira Amigos no Trecho realizam busca ativa, oferecem escuta, encaminham para serviços e acionam acolhimento quando há concordância da pessoa ou risco imediato.

Os Centros POP SARES I e II realizam acolhida diurna (higiene, guarda de pertences, alimentação, atendimento técnico, encaminhamentos para benefícios, saúde, trabalho e documentação).
O SAMIM (Albergue Municipal) e as casas de passagem oferecem acolhimento noturno (pernoite e acompanhamento).
O Bagageiro Municipal garante guarda de bens para quem está em acolhimento ou em trabalho, reduzindo barreiras de adesão.
Os programas de reordenamento e saída qualificada incluem o Recomeço (acolhimento, acompanhamento psicossocial e apoio à reinserção) e o Recâmbio (retorno assistido à cidade de origem quando há vínculo e manifestação de vontade).
Em épocas de frio, a Operação Inverno amplia horários, equipes e oferta de vagas emergenciais.
Quais são os critérios para atender as pessoas em situação de rua em Campinas?
Vontade e consentimento: a adesão é, como regra, voluntária. Há exceção apenas quando existe risco grave e imediato (como alteração severa de consciência ou urgência de saúde), situação em que se aciona a saúde e a urgência.
Vulnerabilidade e risco: há prioridade para idosos, gestantes, pessoas com deficiência, famílias com crianças ou adolescentes, vítimas de violência, pessoas doentes ou sob intempérie severa.
Condição climática: em períodos de baixa temperatura ou de chuva intensa, há ampliação da oferta e flexibilização de requisitos (Operação Inverno).
Avaliação técnica: assistentes sociais e psicólogos(as) avaliam histórico, vínculos, uso de substâncias, demandas de saúde, trabalho e documentação, definindo o melhor arranjo (POP, SAMIM, casa de passagem, UPA, Saúde Mental, entre outros).
Disponibilidade e perfil da vaga: o encaminhamento é feito conforme o perfil (sexo ou identidade de gênero, condição clínica, necessidade de acessibilidade, composição familiar) e as regras de convivência. Quando necessário, articula-se vaga em município vizinho por meio da rede estadual.
Integração com políticas públicas: há prioridade para reconstrução de vínculos familiares ou de origem, acesso a benefícios (CadÚnico, BPC e auxílios), documentação civil e encaminhamento ao trabalho ou à renda.
Recâmbio: ocorre somente com manifestação livre da pessoa, confirmação do vínculo na cidade de destino e garantia de recepção. Não se utiliza como forma de deslocamento forçado.
Gestão de pertences: o Bagageiro reduz recusas ao acolhimento por medo de perda de bens; o acesso está vinculado ao plano de atendimento.
Como é o processo de retorno dos moradores que não são aqui de Campinas para a cidade de origem?
O Recâmbio é um serviço realizado sob demanda da própria pessoa. Ele garante o retorno quando há solicitação e concordância com o deslocamento. A lógica é de cuidado, e não de remoção, sempre baseada na vontade e no consentimento do usuário.
Passo a passo (resumo operacional)
- Escuta e pedido de retorno na rede (SOS Rua, POP SARES, abrigos): a pessoa manifesta o desejo de voltar.
- Checagens técnicas: a equipe confirma documentos e vínculos (familiares ou de serviços) no destino e avalia riscos e condições de saúde. Há integração com a assistência social, a saúde e, quando necessário, com a Defensoria Pública e o CRAS.
- Logística segura: ocorre a emissão de passagem intermunicipal ou interestadual, com apoio de alimentação e itens de viagem, além de acompanhamento até o embarque, quando necessário (caracterização do programa como retorno seguro aos locais de origem).
- Registro e monitoramento: o caso é registrado nos sistemas da rede e, quando possível, há contato com o serviço público da cidade de destino para recepção.
Critérios que orientam a decisão do morador em situação de rua voltar para a cidade natal
Vontade da pessoa e proteção: regra de ouro do serviço. Ninguém é deslocado sem consentimento. Há exceção apenas em situações de risco de vida, com acionamento da rede de saúde.
Confirmação de vínculo ou acolhida no destino: confirmação de família ou de atendimento pela rede socioassistencial local.
Condição clínica e segurança para viagem: avaliada em articulação com a rede de saúde quando necessário.
Campinas realiza 192 viagens de retorno para moradores em situação de rua em 2025
Entre janeiro e setembro deste ano, o Programa Recâmbio, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, aprovou 192 viagens para o retorno de pessoas em situação de rua às cidades de origem.
O Recâmbio integra o BEM (Benefícios Eventuais) Campinas, política pública essencial que oferece suporte a pessoas e famílias em situações de vulnerabilidade específicas e temporárias, como nascimento, morte, vulnerabilidade transitória e estado de calamidade pública.
O atendimento começa no Serviço de Atenção Integral ao Migrante (Samim) ou em unidades de atendimento à população em situação de rua, para uma entrevista social, auxílio na localização de familiares, emissão de documentos e compra da passagem.
Pelo recorte regional, o Sudeste somou 93 aprovações (48%), impulsionado por São Paulo (59) e Minas Gerais (23). Rio de Janeiro (6) e Espírito Santo (5) completaram a região. O Nordeste registrou 41 aprovações (21%), com destaque para Bahia (14) e Pernambuco (9). O Centro-Oeste teve 26 (13%), com Mato Grosso (11) e Goiás (9) à frente. O Sul contabilizou 21 (11%) e o Norte, 11 (6%), fortemente influenciado por Rondônia (8).
Em São Paulo, os principais pontos foram Piracicaba (6), Araras (5) e a capital (3), além de registros distribuídos pelo interior. Em Minas Gerais, os pedidos aparecem pulverizados, com Ribeirão das Neves (2) e ocorrências únicas em Belo Horizonte, Montes Claros e Lavras.
Cuiabá concentrou 6 dos 11 deslocamentos de Mato Grosso. Em Pernambuco, Recife liderou com 6 autorizações. Em Rondônia, Vilhena respondeu por todos os 8 registros do estado. No Rio de Janeiro, a capital somou 4 autorizações, além de Duque de Caxias e São Gonçalo.
No Espírito Santo, Serra teve 4 pedidos e Vila Velha, 1. Na Bahia, o movimento foi distribuído, com Feira de Santana e Vitória da Conquista registrando 3 pessoas cada.
